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Literatura erótica.

É no banho que vejo as marcas que você me deixou. Lembro bem desta noite, por trás dos pensamentos embaçados vodkanianos. Seu quarto já me é familiar, sei exatamente onde ficam as suas coisas, a sua cama. Me pede para tirar a roupa, em tom imperativo. Minhas coxas ficam marcadas pelo elástico da calcinha que você arrebenta com força. Pega meus cabelos como rédeas e encontra em mim a posição que deseja. Não bata tão forte, assim você me machuca. Você é quem manda. Sua língua passeia pela minha boca, enroca-se na minha, seus lábios grossos devorando os meus e me deixando o rosto todo úmido, eu me entrego a estes beijos como se hipnotizada, como se desacordada, mergindo inteira com sua boca. Passeia suas mãos por entre minhas pernas, não é delicado, nem tampouco bruto. Sinto os dedos ásperos arranharem ao entrar, sinto meu corpo por dentro. Sou totalmente vulnerável agora. Beija-me entre as coxas minha coluna se contorce em resposta, aperto os olhos para segurar o momento por mais temp...

O fim está próximo.

Começamos já errado. Estamos começando pelo fim. Não há fim. Não importa o que façamos. Não há muito o que posso fazer. É insuportável estar aqui, porque não há para onde fugir. É inexorável que a situação te persiga até os confins, onde quer que eu esteja. Porque são minhas as atitudes. Você não vê porque enquanto você falava, eu escondia tudo de você. Você não vê, porque falava demais pra perceber o que acontecia comigo. Você não vê, porque aconteciam muitas coisas ao seu redor, enquanto eu era mais do mesmo. Sempre novidade. Olha, eu não quero ser grossa, mas, começamos já errado. Eu não sei dizer não. E quem sabe. Tudo é perto demais, seus passos são vigiados, não há distanciamento possível que proteja minha integridade. Enquanto isso não me escolhe, eu escolho errar. Me perdoe se eu estiver errada. Mas eu já descobri tudo, não adianta mais se enganar. Minha alma quer me sabotar a qualquer preço. Eu sei o que quero. E sei o que quero quando o que eu quero não pode ser. E isso é pu...

Paixão, doença e morte.

Doença, seu sinônimo: patologia. Patologia, etimologicamente do grego, logos , como em todas as logias, com esse sentido adaptado para 'estudo' e pathos , paixão. A Grécia Antiga lidava com as paixões do corpo , termo que foi utilizado até muito recentemente na Idade Média por todos aqueles que ocuparam o lugar de médicos, les medicins . Paixões do corpo, que eram responsáveis tanto pelos aspectos físicos quanto pelo comportamento das pessoas, épocas em que as pessoas eram uma coisa só. E a "cura" não consistia em extinguir, exterminar, eliminar, esconder, se livrar de coisas que pertencem inerentemente ao homem. A cura era o equilíbrio. Em muitos lugares e épocas foi assim, e buscava-se tal bem estar através de diversos artifícios: intelectuais, desporto, ascetismo, exercícios de mente, corpo e espírito, o TAO. Sounds good to me. A medicina atual difere um bocado disso. Cura é sinônimo de não morrer, não doer, não sofrer (sabendo que corro o risco de apanhar por es...

Reprospectiva

É o último do ano. O que quer que seja, mas é o último. Após as 23h59 de hoje, nada mais poderá ser realizado, feito, pensado, comido, gasto, gozado, ignorado em 2009. É o último do ano e a sensação que paira é a de tanto esforço para nada. Nadar, nadar e morrer na praia. Dar murro em ponta de faca. Todo o esforço - emocional, físico, financeiro - dispendido para promover (provocar?) as mudanças feitas em 2009, todo pelo ralo, enxaguado pela sensação de que se está exatamente no lugar de onde se saiu. A famosa "virada de 360°", como alguns intelectualmente abastados (abestados?) insistem em dizer. Tudo mudou e ainda assim nada aconteceu. Nada é como era e ainda assim, tudo está igual. Insuportavelmente igual. Isso pode ser devido à brilhante idéia da nossa percepção de construir a ciclicidade das coisas. A tal da roda, deve ter sido provavelmente o maior eureca da humanidade. Vemos círculos por todos os lados. Dizem, uns, circunvolutivamente, e eu até gosto disso. Mas me pu...

Metades

Não mais aceitar metades. Ou copo cheio, ou copo vazio. Existem montes de textos sobre isso, e tenho-os visto muito recentemente em posts, blogs, scraps, links e toda essa mequetrefa cybernáutica de meus amigos e amigas. Nunca dei muita bola, porque sempre cheirei esses assuntos com cara de autoajuda. Nunca dou muita bola para textos de autoajuda. Por outro lado, existe o conceito junguiano que sempre me caiu muito bem de sincronicidade. Se tantos textos sobre este assunto me aparecem à frente, motivo deve haver. Meu inconsciente chama essa temática à frente de meus olhos, como quem diz: ACORDA! Foi essa a conclusão a que cheguei esta madrugada, porque as conclusões são filhas indissociáveis das madrugadas. Em algum lugar da Bíblia, diz-se: "Venha quente ou venha frio, se vier morno te devoro!", ou algo do gênero. E é curioso olhar para trás  - e esse 'trás' começa no segundo passado da letra 'a' - e re-conhecer que foi sempre assim que vivera. Nunca me en...

Contículos

1 - Expresso da madrugada. Laranjeiras, ponto de ônibus, 1h30 de sexta-feira. Táxis e mais táxis sobem e descem, mas estamos esperando um ônibus. Estamos quem? Eu. E antes de mim um casal. E depois um cara. E um outro cara. Todos parecem se conhecer, menos eu, não conheço nehnum deles. Pegamos todos o mesmo ônibus, chegado depois de longos 20 minutos. O que acontece é que esta é uma hora especial para os ônibus: é a hora em que todos os funcionários de todas as categorias de todos os bares e restaurantes da redondeza, que fecharam há meia hora, hora e meia, estão indo para suas respectivas casas. Eu tb estou indo pra casa, mas não trabalho (não mais) em restaurante, não conheço ninguém. Ao contrário deles. Todos se conhecem, ou ao menos agem como se. Conhecem o motorista e o cobrador, e o motorista e o cobrador conhecem a todos eles e elas também. De General Glicério ao INES o ônibus lota. E lota no Largo do Machado também. E lota no Catete. Eles vão em direção à Penha. Riem, conve...

Tudo sobre assalto.

Tudo o que você sempre quis saber sobre assalto, mas os ladrões nunca tiveram tempo de te responder. Madrugada de sexta 20 para sábado 21/11/2009. Lapa, Rio de Janeiro, Brasil. Nada melhor para a fome das 3 da manhã do que as barraquinhas da Lapa. Tem cachorro-quente, salsicha ou linguiça, com ou sem pleto. Tem hamburguer, x-burguer, x-tudo, x-bacon, x-egg-bacon-salada-tudo-burguer, tem milho, tem salsichão, tem queijo coalho. E tem pizza. Quero uma dessa aqui, meu amigo também. E um guaravita. Prontas, agora vamos sentar ali nos degraus do gramadinho. Muito boa, que pizza gostosa a essa hora! Mas e esse rapaz que passa frente a nós, perto demais? Tem nada não, é apenas mais um ser humano existindo por aqui. Exceto pelo: "Calminha aí, vou levar só o celular!" "NÃO!", e me curvo protegendo meu colo da mão insidiosa. O que ele não contara, na frase anterior é que ele era cinco. Ou seis. Me debato, mas a mão continua investindo contra meu estômago, derruba minha p...