Domitila K.

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Não sou isto nem aquilo. Nem uma coisa nem outra. Nenhum lugar é meu lugar. Ninguém é meu irmão. Ímpar. Esquerda. Noturna. Soturna. Avessa. E ainda assim, todo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Eu prefiro a madrugada.

Eu prefiro a madrugada. O silêncio. O distanciamento.
Eu prefiro a madrugada, quando a maior parte não está aqui. Quando o tempo parece congelar. Quando só eu existo.
Eu prefiro a madrugada, quando os pensamentos soam mais alto. Eu prefiro a madrugada, quando eu brilho no escuro.
Eu prefiro a madrugada, onde todos os gatos são pardos. Onde eu posso me ouvir melhor.
Eu prefiro a madrugada, porque não se precisa mentir nem inventar. Prefiro a madrugada porque é mais sincera. Prefiro as madrugadas insones, onde se sonha mais alto. Prefiro as madrugadas sóbrias, quando se vê mais ao longe.
Eu prefiro a madrugada. Que é mais lenta. Que não nos atropela. Eu prefiro as madrugadas e seus ritmos sem pressa. O ritmo do agora.
Prefiro lembrar o que me disse numa madrugada.
Prefiro as madrugadas solitárias.
E eu prefiro a madrugada com você aqui.

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